sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Desvairados Inutensílios

Pequena Resenha Crítica

Livro “DESVAIRADOS INUTENSILIOS” do Cyber Poeta Silas Correa Leite
Todas essas criaturas a que chamas animadas,
como aquelas a que negas a vida, sem razão
melhor do que a de não as veres em ação – todas
essas criaturas têm, em grau maior ou menor,
capacidade para o prazer a dor; mas a soma geral
de suas sensações, é, precisamente, aquele total
de felicidade que pertence de direito ao ser divino,
quando concentrado em si mesmo. Edgar Allan Poe

“DESVAIRADOS INUTENSILIOS”, Editora Multifoco, Rio de Janeiro, é o novo livro de poemas de Silas Correa Leite, o Cyber Poeta tachado pelo site Capitu de “O Neomaldito da Web” (o autor está em mais de 800 links da net), que no programa “Provocações”, do Antonio Abujamra, da TV Cultura de São Paulo, exprimindo sua latente poética da tristeza, disse que “corta os pulsos com poemas”; também disse que se sente um “E.T.” entre nosotros, e que, “como a vida não lhe deu limões, fez limonadas de lágrimas”. Pois os poemas da safra desta nova obra, ““Desvairados Inutensílios””, tem todas essas lágrimas em contracorrentes, têm esses ácidos multiformes, essas sutilezas esplendentes, mais catarses, onirismos, surtos-circuitos, correntezas hilárias, delírios, irrazões, errações e ousadas experimentações, próprio do estilo do autor.
Humor ora discreto, ora rompante, quando não plangente, ou mesmo curto e grosso. Humor e brevidade, bem próprio desses nossos tempos de correria (e tantas infovias efêmeras) e amarguras. Galhofa, ironia, na linha de Oswald de Andrade (poeta da semana da arte moderna), com invencionices, desvarios, inutensílios, e, claro, dissonâncias de acordes breves. Tudo a ver. 
Minimalista? Neoconcreto aqui e ali. Há ainda o dizer no desdizer, ficando a vertente no implícito, o pulso no tácito, o dizer (fazer poético) obliquo, a palo seco. Haiquases, sim. Acordes dissonantes na linha do seu feitio, tipo “Silas e suas siladas”. Conflitos com filtros (olhos obtusos), briancanças verseiras, twitter-poemas até. O nada-que-é-tudo serpenteando versos ridentes, risadores. O clic e salta o verbo: insights, iras certeiras. Já pensou? Inventando o inexistente, o olho mágico é do poeta ou de sua cetra parideira de poemetos, feito uma metralhadora dialética? O Poeta Silas não oscila seu deleite derramado.
Tem seu espiral de haikais e tankas diferenciados. Alinhava suas tessituras – no “tear do silencial de ‘mins’ e h2outros” como muito bem diz ele – feito até, por que não, um antipoema que ainda é, assim e por isso mesmo, também, poesia pura. Ou, vá lá, impura como jojobas ácidas. Guloseimas ocres. Fios (fiações) literais vários, meio neozen, meio Pessoa, Drummond, Bandeira, Maiakovski, Bertold Brecht, Frederico Garcia Lorca, José Saramago, Manoel de Barros, Mário Quintana, Robert Bob Dylan Zimermam. Será o impossível? Ai de ti Babilônia Bandeirantes. Ou a Neverland Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, a terra-mãe do autor, que a canta em verso e prosa e baladas and blues. Poesias com in/fluências várias, meteoritos-maroteiros. Bulbos letrais.
Marotices literárias. Ler, rir, curtir. Sentir. Bijuterias com alguma angústia-vívere, mais a solidão-albatroz, um certo medo-coisa, disparates, instante-trevas (luz). Bulbos-surtos-circutos portanto. Lacre e limo. Lume e húmus. Humor e técnica de aproximação com a lucidez-loucura. Chorumes e a tal da bendita (maldita) antilira. Niilismo. Pode uma coisa dessa? “Desvairados Inutensílios” é isso: pós-Porta-Lapsos (o último livro de poemas do autor), sendo um boêmico tabuleiro de mixórdias letrais mesmo, avessos de reversos, experimentações cítricas, quando não pan poesia.
Pensadilhos? Pensamentos trocadilhos, diz ele. Pensagens? Pensamentos mensagens, diz ele, com seus tantos neologismos do arco da velha. Melhor morrer de overdose de poesia do que de normalidades hipócritas? Antes sóbrio do que mal acompanhado, trocadilha o autor, muito bom nisso, textificando ócios do oficio de tentar ser um Ser. Não é fácil. Escrever poesia é extra/vazar o lume neutro de fugas, ilhas movediças, facas cegas em palavreiros. Poemas letras de rock. Poemas histórias em quadrinhos. Mas poemas bem contemporâneos.
A faca é cega mas ainda corta, diz a balada.
Os entrecortes epigramáticos – a faca nos dentes - nos entremeios (e entreveros) poéticos tem tudo a ver com o que cria o Cyber Poeta Silas Correa Leite, já elogiado por Moacyr Scliar, Álvaro Alves de Faria (que já o entrevistou duas vezes na Rádio Jovem Pan), Ignácio de Loyola Brandão, João Silvério Trevisan, Rodrigo de Souza Leão, Sergio Vaz, Antonio Miranda, Plínio Marcos, Marcelino Freire, Elio Gaspari, Pedro Maciel, Miltom Hatoum, Araken Galvão, Antonio Cabrita (Moçambique, África), e outros.
Ítalo Calvino disse “O homem contemporâneo é dividido, mutilado, incompleto, hostil a si mesmo: Marx o chama de alienado, Freud de reprimido; um estado de harmonia antigo foi perdido, aspiramos a uma nova totalidade” A poesia do Cyber Poeta Silas Correa Leite muito bem – e ainda filósofo-irônico - exprime (e agoniza?) isso. Tempos tenebrosos. Ser Humano é uma desnatureza que deu errado?
Poesilhas: pois é: lendo o poeta você vê (sente) uma espécie assim de ‘ilha de edição’ – prisioneiro de sua própria existencialização? - que é o seu contundente fazer poético de louco desvarrido; com seus poemas atirados como se em garrafas vazias pedindo socorro, resgate, rumo, âncora, casa, paz, lar. Feito um Homero sonhando uma Itararezinha que talvez só existe mesmo em sua cabeça, em sua imaginação.
Habemus o cyber poeta a ferro e fogo, cerveja e enxofre, mas, ainda assim e por isso mesmo, seu mosaico lustral no livro de poemas “DESVAIRADOS INUTENSILIOS”.  Salve-se quem puder. Periga LER
-0-
Antonio T. Gonçalves, São Paulo, 2012
Jornalista e Professor Universitário
 

http://cavalosselvagens.wordpress.com/

28 de setembro de 2012


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Para ler, pensar e rir



Eu escrevo, a águia crocita, a arara taramela, o burro zurra, o camelo blatera, o coelho guincha, o corvo corveja, a saracura apita, o peru grugruleja, a patativa soluça, o pinto pia, a cotia bufa, o leão ruge, o pavão pupila, o papagaio palra, o crocodilo chora, o falcão pipia, o touro berra, o veado geme, o tucano chalra, o canário estrala, a rã engrola, o pica-pau restridula, o javali ronca, você lê e a caravana passa.

Não perca! São quatro volumes. Quase ficção, quase não. Divertimento, humor, entretenimento. De um autor formado no jardim de infância das palavras. Leia, indique e seja feliz!

Se não tiver medo é só clicar aqui.

26 de setembro de 2012


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Mulher ao Livro - Rui Werneck



(Esta crônica do participante Rui Werneck ganhou o primeiro lugar no VII Concurso Ruben Braga da Academia Cachoeirense de Letras, Para o escritor receber o prêmio, obrigam-no a ir a Cachoeiro do Itapemirim, mas o dinheiro respectivo não cobre a passagem até ao Espírito Santo e este não o levará até ao escritor.)

         MULHER AO LIVRO
                                                                 D’après mestre Rubem Braga
         De minha varanda não vejo, entre edifícios altos e telhados, o mar. O dia está ensolarado e convidativo, mas o mar mora longe, em outra cidade. Vejo só a rua cheia de carros, ônibus, motos, caminhões — passam rapidamente, dobram esquinas, buzinam, freiam, aceleram, atropelam-se. Não sossegam. O som dos motores vem de longe, cresce e decresce — são ondas sonoras cíclicas, pesadas, que estremecem o ar, entram pelos ouvidos e embaralham o espírito.
         Porém, percebo um ponto calmo — uma mulher acomodada na poltrona, em seu apartamento, no outro lado da rua. Não a conheço — mas quem conhece ao menos o vizinho no mesmo edifício? Ela tem um livro nas mãos e enfrenta a leitura com um distanciamento seguro da zoeira dos veículos. A janela está fechada e o ambiente tem boa iluminação natural. Não sei se escuta música — da qual certamente está alheia. A leitura faz com que ela se ausente do mundo real. Transportou-a para algum reino perdido no tempo, alguma cidade distante e para enredos de amor, aventura e magia. Nem percebe que a observo. Com energia dos músculos contida — vira as páginas com leves movimentos do braço e dos dedos — ela exercita apenas a imaginação. Não quer acordar da viagem tão delicada e sacudir os personagens, truncando a história. Por algum tempo, eu também me isolo da balbúrdia da rua e acompanho aquela abnegada leitora — sonho de todos os escritores.
         Somente durante a minha observação, ela virou dez páginas. Seria um recorde? Digo isso sem malícia. Apenas comparo com a pressa desmesurada dos leitores mais jovens — para eles, uma página é um mar de provações e um livro, oceano eternamente tormentoso. A mulher parece ter todo tempo do mundo — livrou-se das tarefas do dia e sentou para ler um livro. Absorvida pela leitura, ela sabe que a vida lá fora pode esperar. Tem controle do momento e das futuras movimentações — filho chegando da escola, marido chegando do trabalho. Quem sabe o quê? Não importa. Importa é que ela conseguiu conquistar um tempo precioso, só dela, para ler um livro. E ela, por sua entrega, dentro do meu sincero julgamento, faz por merecer.
         Daqui da varanda observo e, sem que ela jamais venha a saber, uso a importante conquista para meu proveito — escrevendo — e para proveito de alguma outra alma leve que venha a alcançar a sabedoria de não se render ao infernal barulho das ondas sonoras da superfície — e prefira a calma das profundezas do espírito.
         Ela segue bravamente em frente. Lutando silenciosamente contra a maré das coisas mundanas à sua volta. Talvez se levante daqui a pouco, por obra de um telefonema, uma visita ou outra importunação qualquer. Torço por ela no seu silêncio — que não venha a ser quebrado por nada. Até que ela, por si mesma, desperte — sem pressões — do sonho bom. Volto a mim e às máquinas que correm desvairadas — o mundo delas é sempre noutro lugar! Deixo a visão da mulher lendo como um quadro que não cairá nunca da parede da memória — mesmo sob os escombros de um barulhento mundo de motores.

         Rui Werneck de Capistrano

21 de setembro de 2012 - Nonato do Piauí








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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Leya e não escreveya

Quando a Leya açambarcou a Teorema, levou também um livro meu que ainda não tinha lançado no Acre, como sempre fiz. Sem nenhuma intimidade com o novo editor (nem sei quem seja), não pude conseguir os tantos exemplares que justificassem tamanha empreitada. Agora sim... o pau comeya! O pé com meya!

Para rir um pouco, veja o vídeo promocional a quando do lançamento em Lisboa.

5 de setembro de 2012


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