terça-feira, 22 de março de 2011

Prece à Bethânia

Venho de pés descalços e mão (uma só) estendida pedir à Senhora de tantos mares que, se for necessário justificar os recursos destinados à sua folhinha, olhai por nós simbioticamente apoiando a confecção da nossa Folhinha Poética que é física e onerosa apesar de lagoinha. E aí, sim, invés de um, podemos oferecer cem exemplares a cada participante, muitos deles novatos e desconhecidos e ansiosos por ver uma obra publicada. Assim seja!

Veja "O ego e a ganância de Maria Bethânia no país dos amigos"

sexta-feira, 18 de março de 2011

Blog da Bethânia

Já não estamos sozinhos. A cantora Maria Bethânia teve a excelente idéia de organizar uma folhinha poética virtual. Para mais detalhes clicaqui Blog do Noblat O Globo
Facto que ajudará imenso na divulgação da nossa Folhinha poética, que pretende ser física, o que onera sobremaneira a sua confecção. Portanto, além de passarem palavra para angariar poemas, pedimos que estejam atentos para alguma pessoa física ou jurídica que se interesse em nos apoiar nessa brincadeira.
Eu sei, já avisava o pai, que não se deve dar o passo maior que as pernas. Mas, e a aventura... Também eu não imaginava que tantos lampejos sairiam de cabecinhas até então inférteis e tampouco acreditava que tantas gavetas e baús se abrissem apenas com um peteleco. A situação é que já vamos em 240 participantes e o imprudente que vos fala prometeu pelo menos um exemplar a cada um. Algumas editoras me procuraram, porém seria deselegante de minha parte já que passaria a ter um cunho comercial. A solução que vejo em primeira instância é que cada um participante confeccione os tantos exemplares que desejar. Junto com o exemplar que enviarei acompanharão as dicas para o Faça Você Mesmo. E se quiser uma edição em forma de livro, mais elaborada, veja as indicações da Editora Barba Ruiva.
Pelo visto, este é um caso em a pirataria é que é legal.
Pois vamos piratear!
Vamos soltar a poesia. Nós na rua e a Bethânia na net.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

1/3 bem rezado.


Chegamos a 122 dias preenchidos. Não deixa de ser uma bravata, mas ainda é pouco se se pretende mandar para o prelo em julho. Faltam 244! Os colaboradores estejam atentos para o facto de que além da expressão lingüística do poema (É o caso do Firmino Bernardo que participa com três: em mirandês, em inglês e em português), há também a de estilo (como o "seu" Barroso que assina a maioria como Fernando Castela mas é também o Zé do Mato, com as suas crónicas em quadras jocosas e ainda assina Fernando Barroso a sua poesia matuta). Uma maneira também simpática da gente engrossar o caldo é descobrirmos aquele anónimo que muitas vezes já faz parte do poemário da sua região mas ainda não está muito divulgado. E aqui entra um caso interessante: uma letra do cancioneiro acreano recolhida por freiras da Prelazia do Alto Purus. Conta-se que as freiras, que apesar de serem alemãs, conheciam bem a língua portuguesa, só divulgaram o achado trocando o vocábulo "de" por "do".

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Polêmica out law

Quatro pessoas me chamaram a atenção para o facto de eu querer um poema do Lúcio Flávio para a nossa folhinha. Disseram que não seria bom "dar ponto" para bandido. Eu argumentei que coloquei um do Arthur Rimbaud e ninguém falou nada. Será que é porque é bandido extrangeiro ou a genialidade fornece alguma compensação ou remissão?
Ainda não consegui encontrar quem possa autorizar a utilização de um poema de Lúcio Flávio. Enquanto isso, preencho o dia 29 de fevereiro com uma frase sua retirada da epígrafe do livro Noticiário, de Alberto Cunha Melo.
"(...) Existem coisas que, em nosso mundo atual, só poderão ser
vistas por olhos que ainda conseguem chorar..."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os últimos dias...



Os últimos dias do ano ou os primeiros de um novo tempo.
Em se suspeitando que o mundo possa findar a 21 de dezembro, seria injusto incluir, após essa data, a obra de alguém que ainda não tenha visto o seu trabalho divulgado, portanto, para esses dias colocamos os já consagrados. Ficou assim constituído o fim do ano:
Véspera, um chiste, como o é qualquer profecia apocalíptica.

No dia fatídico, um poema para uma nação que, infelizmente, todo dia é fim-do-mundo.


Para o Dia Seguinte, com um convite:



E os conhecidos:

Quevedo (23 de dezembro)

MADRIGAL

Está la ave en el aire con sosiego,

en la agua el pez, la salamandra en fuego,

y el hombre, en cuyo ser todo se encierra,

está en sola la tierra.

Yo sólo, que nací para tormentos,

estoy en todos estos elementos:

la boca tengo en aire suspirando,

el cuerpo en tierra está peregrinando,

los ojos tengo en llanto noche y día,

y en fuego el corazón y la alma mía.


Walt Whitman (24 de dezembro)

To You

STRANGER! if you, passing, meet me, and desire to speak to me,

why should you not speak to me?

And why should I not speak to you?


Alberto Cunha Melo (25 de dezembro)

Natal


Longe do Olimpo, um deus nascia
roxo, a gritar, como os humanos,
um deus sem flâmulas nascia,
para os perdidos e os insanos;

nada tinha do deus heleno
o deus menino sobre o feno,

era um deusinho de brinquedo
no quintal do Império Romano,
era o deus do povo com medo,

um deus sem sorte, palestino,
e sem teto, desde menino.

Dante Alighieri (26 de dezembro)

Sonetto

Sonetto, se Meuccio t'è mostrato,

così tosto 'l saluta come 'l vedi,

e va correndo e gittaliti a' piedi,

sì che tu paie bene accostumato.

E quando se' con lui un poco stato,

anche 'l risalutrai, non ti ricredi;

e poscia a l'ambasciata tua procedi,

ma fa' che 'l tragghe prima da un lato;

e di': «Meuccio, que' che t'ama assai

de le sue gioie più care ti manda,

per accontarsi al tu' coraggio bono».

Ma fa che prenda per lo primo dono

questi tuo' frati, e a lor sì comanda

che stean con lui e qua non tornin mai.


Shakespeare (27 de dezembro)

Those pretty wrongs that liberty commits

When I am sometime absent from thy heart,

Thy beauty, and thy years, full well befits,

For still temptation follows where thou art.

Gentle thou art, and therefore to be won,

Beauteous thou art, therefore to be assailed;

And when a woman woos, what woman's son

Will sourly leave her till she have prevailed?

Ay me, but yet thou mightst my seat forbear,

And chide thy beauty, and thy straying youth,

Who lead thee in their riot even there

Where thou art forced to break a twofold truth:

Hers, by thy beauty tempting her to thee,

Thine, by thy beauty being false to me.


Arthur-RIMBAUD (28 de dezembro)

Le buffet

C'est un large buffet sculpté ; le chêne sombre,

Très vieux, a pris cet air si bon des vieilles gens ;

Le buffet est ouvert, et verse dans son ombre

Comme un flot de vin vieux, des parfums engageants ;

Tout plein, c'est un fouillis de vieilles vieilleries,

De linges odorants et jaunes, de chiffons

De femmes ou d'enfants, de dentelles flétries,

De fichus de grand'mère où sont peints des griffons ;

- C'est là qu'on trouverait les médaillons, les mèches

De cheveux blancs ou blonds, les portraits, les fleurs sèches

Dont le parfum se mêle à des parfums de fruits.

- Ô buffet du vieux temps, tu sais bien des histoires,

Et tu voudrais conter tes contes, et tu bruis

Quand s'ouvrent lentement tes grandes portes noires.


Petrarca (29 de dezembro)

Benedetto sia ’l giorno, e ’l mese, e l’anno

Benedetto sia ’l giorno, e ’l mese, e l’anno,

e la stagione, e ’l tempo, e l’ora, e ’l punto,

e ’l bel paese, e ’l loco ov’io fui giunto

da’ duo begli occhi che legato m’hanno;

5e benedetto il primo dolce affanno

ch’i’ebbi ad esser con Amor congiunto,

e l’arco, e le saette ond’io fui punto,

e le piaghe che ’nfin al cor mi vanno.

Benedette le voci tante ch’io

chiamando il nome de mia donna ho sparte,

e i sospiri, e le lagrime, e ’l desio;

e benedette sian tutte le carte

ov’io fama l’acquisto, e ’l pensier mio,

ch’è sol di lei, sì ch’altra non v’ha parte.


Jose Martí (30 de dezembro)

Cultivo una Rosa Blanca

Cultivo una rosa blanca

En Junio como en Enero,

Para el amigo sincero,

Que me da su mano franca.

Y para el cruel que me arranca

El corazón con que vivo,

Cardo ni ortiga cultivo

cultivo una rosa blanca.


Anônimo (31 de dezembro)

O Fortuna

Velut luna

Statu variabilis,

semper crescis

aut decrescis;

vita detestabilis

nunc obdurat

et tunc curat

ludo mentis aciem,

egestatem,

potestatem

dissolvit ut glaciem

(in Carmina Burana)





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